Elevado da Forquilha vai atender mais de 700 mil veículos por dia e promete transformar a mobilidade urbana na capital maranhense com prazo de um ano.
O trânsito de São Luís tem um ponto que todo motorista conhece e que todo motorista teme: o cruzamento da Forquilha. A região, onde a Avenida Guajajaras se encontra com a Estrada de Ribamar (MA-201), é há décadas um dos maiores gargalos de mobilidade da capital maranhense. Quem precisa ligar bairros do centro aos municípios da Região Metropolitana, como São José de Ribamar, sabe o que é ficar parado ali por minutos que parecem horas, especialmente nos picos da manhã e do fim da tarde. Em março de 2026, a Prefeitura de São Luís deu início oficial às obras de construção do Elevado da Forquilha, uma das intervenções viárias mais aguardadas da história recente da cidade. O prefeito Eduardo Braide assinou a Ordem de Serviço durante solenidade realizada no próprio cruzamento, marcando oficialmente o início das intervenções no local. A pergunta que fica para o cidadão é: em quanto tempo isso vai mudar a vida de quem passa por ali todos os dias? Saoluis
O que vai ser construído e qual o tamanho do investimento
A obra será executada pela Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp) e contará com investimento de R$ 67.333.486,21, com recursos 100% municipais, e o prazo estimado para conclusão é de 12 meses. Esse detalhe é relevante: a obra não depende de repasses federais ou estaduais, o que tende a reduzir o risco de paralisações por contingência orçamentária, um problema recorrente em grandes projetos de infraestrutura no Brasil. O Maranhense
Mas o elevado não se limita a uma solução de trânsito. O presidente do Instituto da Paisagem Urbana (Impur), Walber Filho, explicou que o projeto foi concebido para integrar mobilidade, arquitetura e paisagismo, com o conceito estrutural tendo como símbolo mãos que sustentam a estrutura, em homenagem à força do trabalhador e da população maranhense. A proposta é que o elevado se torne um novo marco urbano da capital, assim como ocorreu com o Elevado da Cidade, entregue pela gestão na região do aeroporto. O Elevado da Cidade tem uma área total de 4.872,36 m² e investimento de mais de R$ 30 milhões, facilitando o tráfego entre as avenidas Guajajaras e dos Franceses e agilizando o acesso à BR-135. O novo elevado da Forquilha deverá superar esse projeto em porte e impacto visual. O InformanteSaoluis
A obra integra o programa “São Luís se Transforma”, lançado pela Prefeitura com um pacote de investimentos em infraestrutura, saúde, educação e outras áreas. O pacote prevê, além do elevado, a implantação do Plano Municipal de Mobilidade, com indicação de novos modais de transporte e ações voltadas à melhoria da circulação de pedestres, ciclistas e pessoas com deficiência, incluindo a construção de passarelas e integração com o Plano Diretor. Isso significa que o elevado não é uma ação isolada, mas parte de uma estratégia mais ampla de requalificação viária da cidade. Saoluis
Por que o cruzamento da Forquilha representa um problema tão grave
Para entender a dimensão do projeto, é preciso compreender o volume de tráfego que passa pelo local diariamente. Segundo dados da Secretaria de Trânsito e Transportes (SMTT), mais de 700 mil veículos circulam diariamente pela área, o que impacta diretamente a rotina de centenas de milhares de pessoas que passam pelo local todos os dias. Em termos práticos, isso equivale a mais de 1 milhão de pessoas que, em algum momento do dia, passam pelo cruzamento da Forquilha, seja como motoristas, passageiros de ônibus ou moradores dos bairros vizinhos. Saoluis
O cruzamento conecta bairros da zona central e norte da cidade aos municípios da Região Metropolitana, tornando-se um ponto de passagem obrigatório tanto para quem trabalha em São Luís quanto para quem vive em cidades como São José de Ribamar. A ausência de uma solução viária adequada nesse ponto cria um efeito cascata: os congestionamentos se irradiam pelas vias adjacentes, aumentam o tempo médio de deslocamento, elevam o consumo de combustível e contribuem para a piora da qualidade do ar na região. São problemas que têm custo econômico e ambiental real para a população, ainda que raramente sejam quantificados de forma explícita nos debates sobre mobilidade urbana.
Vale registrar que, em abril de 2026, o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) recebeu uma denúncia protocolada por um cidadão via Ouvidoria, que levanta suspeitas sobre irregularidades no processo licitatório que envolve a construção do elevado. A decisão de apuração foi assinada pelo conselheiro Marcelo Tavares Silva e publicada no Diário Oficial Eletrônico do TCE-MA no dia 16 de abril de 2026. O caso ainda está em apuração e a Prefeitura não foi condenada por qualquer irregularidade até o momento. A transparência no acompanhamento dessa denúncia será fundamental para garantir a credibilidade do processo. Domingoscosta
Como a obra vai mudar a rotina de quem vive em São Luís
A experiência com o Elevado da Cidade, entregue pela gestão municipal na região do aeroporto, oferece um parâmetro concreto para avaliar o que pode ser esperado com o Elevado da Forquilha. Segundo a Prefeitura de São Luís, após a entrega do primeiro elevado, o tráfego na região ficou totalmente liberado em apenas cinco meses após a assinatura da Ordem de Serviço, sendo considerado um dos prazos mais curtos para uma obra de grande porte na capital. Esse histórico cria uma expectativa razoável de que o prazo de 12 meses para o novo elevado seja cumprido, embora obras de infraestrutura urbana estejam frequentemente sujeitas a revisões de cronograma.
Para o cidadão que passa pela Forquilha diariamente, a mudança mais imediata será na redução do tempo de deslocamento nos horários de pico. Um elevado viário nesse ponto elimina os semáforos do cruzamento para o fluxo principal, permitindo que os veículos passem sem parar. Essa mudança, aparentemente simples, tem efeito multiplicador: menos tempo parado em fila significa menos emissão de gases, menor desgaste dos veículos, redução do estresse dos motoristas e, especialmente, mais tempo disponível para as pessoas. No caso de um cruzamento que recebe 700 mil veículos por dia, mesmo uma redução média de dois minutos no tempo de espera representa um ganho coletivo de imenso valor.
São Luís também avança em outra frente estratégica ao lançar seu Parque Tecnológico, instalado no Complexo Trapiche Santo Ângelo, com o objetivo de alcançar 30 mil cidadãos, beneficiar 1.100 negócios e formar 500 jovens em tecnologia. O movimento da cidade, portanto, não é apenas de asfalto e concreto: enquanto o elevado resolve um gargalo físico de décadas, o parque tecnológico aponta para onde São Luís quer chegar economicamente. As duas iniciativas, juntas, revelam uma capital que começa a tratar infraestrutura e inovação como faces de um mesmo projeto de transformação urbana. O ludovicense que aguarda o fim das obras na Forquilha pode ter certeza de uma coisa: quando o elevado estiver pronto, a cidade vai ser diferente. Movimento Econômico
Fontes consultadas:
- Prefeitura de São Luís: https://www.saoluis.ma.gov.br/portal/noticias/0/3/3542/em-novo-marco-para-a-mobilidade-da-capital-prefeitura-de-sao-luis-inicia-construcao-do-elevado-da-forquilha
- O Informante: https://portaloinformante.com.br/noticias/2026/03/obras-do-elevado-da-forquilha-em-sao-luis-sao-iniciadas-com-investimento-de-r-673-milhoes/
- Maranhão Hoje: https://mahoje.com.br/268602-2/
- Blog do Domingos Costa (TCE-MA): https://domingoscosta.com.br/denuncia-aponta-suspeitas-em-licitacao-milionaria-da-obra-do-elevado-da-forquilha-em-sao-luis/
- Movimento Econômico (Parque Tecnológico): https://movimentoeconomico.com.br/tecnologia/2026/03/29/conexao-sao-luis-porto-digital-amplia-o-mapa-da-inovacao-no-nordeste/










