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A importância do estudo de insolação antes da obra

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Para Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, o efeito do sol dentro de casa costuma só ser percebido depois que a obra termina, quando um quarto vira uma estufa à tarde ou a sala nunca recebe luz natural pela manhã. O estudo de insolação existe justamente para evitar esse tipo de surpresa, prevendo como a luz vai se comportar em cada ambiente antes de qualquer parede ser levantada.

Esse estudo deveria entrar no projeto tão cedo quanto a definição da planta, e não como um ajuste feito depois que o desconforto térmico já apareceu. Analisar a trajetória do sol ao longo do dia e das estações muda decisões que parecem simples, como a posição de uma janela ou o tamanho de um beiral, num momento em que ainda é barato corrigir o rumo do projeto.

O que o estudo de insolação realmente analisa

O estudo de insolação mapeia como a luz solar incide sobre o terreno em diferentes horários e épocas do ano, considerando a posição geográfica, a latitude e os obstáculos ao redor, como prédios vizinhos e vegetação. Esse mapeamento resulta em cartas solares que mostram, para cada fachada, quando o sol bate direto e quando fica protegido por sombra ao longo das estações.

A face norte, no hemisfério sul, costuma receber a maior parte da insolação diária, enquanto a face leste recebe o sol da manhã e a oeste, o sol mais forte da tarde. Daugliesi Giacomasi Souza evidencia essa diferença ao justificar decisões como colocar dormitórios a leste, para aproveitar luz suave, e evitar grandes janelas de vidro voltadas para oeste sem proteção adequada.

Como a orientação errada compromete o conforto da casa?

Quando esse estudo é ignorado, o resultado costuma aparecer meses depois da entrega: ambientes que esquentam demais à tarde, cômodos escuros mesmo em dias claros e um gasto crescente com ar-condicionado para compensar o que a arquitetura deixou de resolver sozinha. Cortinas, persianas e películas ajudam, mas corrigem por cima um problema que nasceu ainda na planta do projeto, quando a orientação das aberturas já tinha sido decidida.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Daugliesi Giacomasi Souza indica que boa parte das reclamações de conforto térmico em casas prontas poderia ter sido evitada com um estudo de insolação feito ainda na fase de projeto, antes de qualquer decisão sobre posição de esquadrias ser tomada e antes de a fachada estar definida no papel.

Elementos de projeto que dependem diretamente do sol

Brises, marquises, beirais e a escolha do vidro das janelas são definidos, em boa parte, a partir do resultado do estudo de insolação. Um brise horizontal, por exemplo, bloqueia o sol alto de verão sem impedir a entrada de luz mais baixa no inverno, quando o calor extra costuma ser bem-vindo dentro de casa.

Daugliesi Giacomasi Souza pondera que ignorar esse tipo de detalhe técnico obriga o morador a resolver depois, com cortina pesada ou ar-condicionado ligado o dia inteiro, um problema que o projeto poderia ter evitado com uma decisão de fachada tomada a tempo, ainda na prancheta.

O sol como parte do orçamento da obra, não só do conforto

O estudo de insolação também tem peso financeiro, casas bem orientadas gastam menos energia ao longo dos anos e tendem a ser mais valorizadas no mercado, porque o conforto térmico natural é percebido por quem visita o imóvel antes mesmo de perguntar sobre a conta de luz. Esse retorno raramente aparece no orçamento inicial da obra, mas se acumula ano após ano.

Tratar o sol como parte do projeto, e não como um detalhe estético de fachada, é o que separa uma casa confortável o ano inteiro de uma casa que depende de equipamento para compensar decisões tomadas cedo demais, quando ainda não existia obra para corrigir.

40 minutos ago