Política

Eleições 2026 no Maranhão: Convenções se Aproximam e o Quebra-Cabeça das Alianças Ainda Não Tem Resposta

Com Braide liderando as pesquisas e o campo governista rachado, o estado entra na reta final da pré-campanha sem definições para o Senado.

O Maranhão chega a junho de 2026 com uma disputa eleitoral que combina polarização nas pesquisas de intenção de voto e um emaranhado de alianças que desafia qualquer análise linear. A apenas semanas do início do período de convenções partidárias, fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral entre 20 de junho e 5 de agosto, o cenário político estadual acumula rupturas internas, negociações em aberto e um racha no campo governista que promete definir o tom da campanha até outubro. Para o eleitor maranhense que tenta entender em quem vai votar, a pergunta mais urgente talvez não seja “quem está à frente nas pesquisas”, mas sim “quem, afinal, vai estar na mesma chapa de quem”.

Como Está a Disputa pelo Governo do Maranhão

Segundo levantamento divulgado pela Quaest, Eduardo Braide (PSD) lidera os três cenários estimulados em que participa com mais de dez pontos percentuais de vantagem sobre os demais. No cenário sem ele, Orleans Brandão (MDB) é quem assume a liderança. A pesquisa AtlasIntel, divulgada em maio, aprofundou essa percepção: Braide lidera os dois cenários estimulados com mais de 20 pontos percentuais de vantagem sobre Orleans Brandão, e nas simulações de segundo turno venceria Brandão, Lahesio Bonfim (Novo) e Felipe Camarão (PT). São números que, se confirmados nas urnas em outubro, representariam uma vitória expressiva para o prefeito de São Luís. Gazeta do PovoGazeta do Povo

O que torna o quadro mais complexo, porém, é o racha no campo que historicamente domina a política maranhense. Felipe Camarão e Carlos Brandão foram de aliados a opositores, após o governador não apoiar o vice para sucedê-lo. O vice acusa Carlos de romper um acordo firmado com a executiva nacional do PT para que ele tivesse o apoio do Palácio dos Leões. A cisão transformou o campo governista em dois blocos com propostas diferentes para o estado, ambos buscando a bênção do presidente Lula, que mantém diálogo com as duas frentes. A disputa para o Senado é marcada pela disputa pelas cadeiras ocupadas por Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT), ambos declarados candidatos à reeleição. ND MaisWikipedia

A Corrida ao Senado e o Labirinto das Alianças

Se a disputa pelo governo tem contornos mais claros nas pesquisas, a corrida pelas duas cadeiras do Senado transformou a política maranhense em algo difícil de acompanhar. A pré-campanha maranhense entrou numa fase em que os personagens mudam de lugar com tanta velocidade que o eleitor corre o risco de votar em alguém que já trocou de chapa antes mesmo da abertura das urnas. O episódio mais recente envolve o deputado federal André Fufuca (PP), que depois de meses figurando como uma peça importante do grupo governista, desembarcou na pré-candidatura de Braide como postulante ao Senado. Maranhaobrasil

Dois dos três senadores do Maranhão devem tentar a reeleição: Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT) já anunciaram suas pré-candidaturas. Ana Paula Lobato (PSB) ainda tem a metade do mandato pela frente. No campo de Braide, além de Fufuca, outros nomes circulam como possíveis candidatos ao Senado, mas sem confirmação formal até o momento. Nas disputas para as duas cadeiras do Senado, há concorrência acirrada, com Duarte Jr. (Avante), Eliziane Gama (PT), Roberto Rocha (Novo) e Weverton Rocha (PDT) melhor posicionados nas pesquisas. ND MaisGazeta do Povo

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) permanece como um nome que aparece nas especulações, mas sem definição clara sobre seu papel. O cenário de Orleans Brandão, por sua vez, ainda não fechou quem vai compor o palanque. Orleans Brandão afirmou em rádio que pretende se reunir com Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) e André Fufuca para definir de vez a composição senatorial de sua chapa. Enquanto isso, Duarte Júnior (Avante) construiu a própria pré-candidatura ao Senado de forma independente e foi o primeiro dos pretendentes a receber um presidenciável em São Luís. ND Mais

O Que o Eleitor Maranhense Pode Esperar nos Próximos Meses

A reta final da pré-campanha no Maranhão vai coincidir com as convenções partidárias, que começam em 20 de junho. Os nomes serão oficializados nas convenções partidárias, que serão realizadas entre 20 de junho e 5 de agosto, conforme calendário estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral. É nesse período que as chapas serão fechadas, as coligações formalizadas e as candidaturas ao Senado, finalmente, definidas. Até lá, o eleitor continua diante de um tabuleiro em constante movimento. Metrópoles

Vale notar que a presença do presidente Lula no tabuleiro maranhense é ao mesmo tempo fator de unidade e de ambiguidade. Lula parece conseguir dialogar ao mesmo tempo com setores que orbitam em torno de Felipe Camarão e com grupos que hoje estão mais próximos de Orleans Brandão, o que não facilita a compreensão do eleitor. A disputa presidencial de 2026, que se desenrola em paralelo, adiciona uma camada extra de complexidade: candidatos ao governo estadual precisam calibrar o quanto se aproximam ou se distanciam de Lula em um estado onde o presidente ainda tem influência, mas onde a eleição local tem dinâmicas próprias. Maranhaobrasil

Para os moradores de São Luís e do interior do Maranhão, o mais importante talvez seja acompanhar como cada candidato ao governo estadual pretende lidar com as prioridades concretas do estado: a gestão do Porto de Itaqui, o avanço da infraestrutura, a segurança pública e a geração de empregos. As pesquisas dão um retrato do momento, mas as convenções e a campanha oficial vão mostrar se os números se sustentam quando os candidatos saírem para disputar o voto real, nos bairros, nas praças e nas urnas de outubro.

Fontes consultadas:

29/06/2026