Ex-prefeito de São Luís lidera pesquisas para o governo estadual, mas enfrenta candidatura governista com apoio de 11 partidos e 182 prefeitos.
Poucas disputas eleitorais no Brasil de 2026 reúnem tanto o que a política gosta de chamar de “variáveis imprevisíveis” quanto a corrida pelo governo do Maranhão. De um lado, um ex-prefeito que deixou o cargo com aprovação acima de 70% e lidera as pesquisas. Do outro, um candidato que conta com a máquina estadual, o apoio de 11 partidos e a maioria dos prefeitos maranhenses. Entre os dois, um estado de 7 milhões de habitantes onde a política historicamente se decidiu nos bastidores antes de chegar às urnas. O que está em disputa em outubro de 2026 é muito mais do que um cargo: é o redesenho do poder no Maranhão para a próxima década.
Para entender a complexidade do cenário, é preciso voltar a 2024. Naquele ano, Eduardo Braide venceu a eleição municipal de São Luís no primeiro turno com 70,12% dos votos, a maior votação para prefeito na história da capital. Ele derrotou o candidato apoiado pelo Governo do Estado, o deputado federal Duarte Júnior, que contava com o Palácio dos Leões e mais doze partidos ao seu lado, diante de apenas três ao lado do gestor municipal. O resultado foi lido como um sinal claro de que Braide tinha capital político para ambições maiores. ND Mais
Braide sai da prefeitura e mira o Palácio dos Leões
Prefeito reeleito de São Luís com mais de 70% dos votos, Eduardo Braide não poderia disputar mais uma vez consecutiva o mesmo cargo. Após longo período de especulações, decidiu deixar a Prefeitura e tentar ser governador, o que garantiu a liderança nas pesquisas. A movimentação não foi simples: abrir mão da cadeira de prefeito de uma capital para concorrer ao governo estadual é uma aposta que poucas carreiras políticas suportam em caso de derrota. ND Mais
Uma das principais bandeiras da pré-campanha de Braide ao governo do Maranhão é a execução de obras em São Luís sem auxílio do governo estadual. Segundo ele, ao deixar o comando da administração municipal, os cofres da prefeitura tinham R$ 2 bilhões, e duas mil intervenções foram realizadas ao longo do mandato, parte delas com recursos do Novo PAC. Entre as obras citadas estão a construção de uma maternidade na Cidade Operária, uma policlínica na Cidade Olímpica e intervenções no Centro Histórico, como o Museu dos Azulejos e o Complexo Trapiche Santo Ângelo. ND Mais
A narrativa construída pela pré-campanha de Braide é a de um gestor que transformou São Luís sem depender do Estado, e que pode repetir o feito em escala maior. É um argumento que ressoa bem entre os eleitores que acompanharam as mudanças na capital, mas que encontra resistência no interior, onde a presença do poder estadual é mais capilar e onde a máquina governista tem raízes mais profundas.
O candidato governista e a força dos prefeitos
Do lado do campo governista, a disputa interna já foi resolvida. A sucessão de Carlos Brandão, que não pode se reeleger como governador, começou com a disputa entre o vice Felipe Camarão, do PT, e o ex-secretário estadual Orleans Brandão, do MDB. Orleans, sobrinho do governador, saiu na frente na articulação partidária. ND Mais
Prefeitos maranhenses podem ser decisivos nas eleições de 2026, mas nesse ponto a vantagem está com Orleans Brandão, que conta com o apoio de 182 prefeitos, segundo o próprio governador Carlos Brandão, que afirmou isso durante o lançamento da pré-candidatura do sobrinho. O Maranhão tem 217 municípios, o que significa que Orleans chega ao pleito com apoio declarado de cerca de 84% dos prefeitos do estado, uma estrutura raramente vista em eleições estaduais. ND Mais
Ainda assim, ter apoio de prefeitos não se traduz automaticamente em votos. A história das eleições maranhenses é repleta de casos em que a mobilização da base local não foi suficiente para reverter uma percepção popular consolidada. E Braide tem algo que Orleans ainda precisa construir: uma imagem associada a resultados concretos que o eleitorado pode verificar no cotidiano.
A eleição de outubro de 2026 no Maranhão promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos, e o resultado dirá muito sobre o peso real que a aprovação popular tem diante de uma máquina partidária bem estruturada. Para os maranhenses, o que importa é saber qual dessas duas forças vai moldar os próximos quatro anos do estado.
Fontes: ND Mais | ND Mais – Obras federais | ND Mais – Prefeitos
Autor: Diego Rodríguez Velázquez










