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O fado transformou as vozes e guitarras de Lisboa em patrimônio mundial, e Antonella Giancoli explica por que a Benarrivati inclui as casas tradicionais nos roteiros pela cidade

Antonella Amaral Giancoli
Antonella Amaral Giancoli

Reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2011, o gênero se desenvolveu em Lisboa no século XIX e permanece ligado a bairros históricos como Alfama e Mouraria

Nas primeiras décadas do século XIX, Lisboa viu surgir uma expressão musical urbana que reunia diferentes influências presentes na cidade. O fado se desenvolveu a partir do encontro entre tradições locais, referências afro-brasileiras, músicas trazidas pela migração interna e formas de canção urbana que circulavam pela capital portuguesa.

Alfama se tornou um dos bairros mais associados ao gênero, embora sua história não pertença exclusivamente às suas vielas. Mouraria, onde viveu Maria Severa Onofriana, considerada uma das primeiras grandes figuras do fado lisboeta, também ocupa lugar central nessa trajetória. Antonella Giancoli, da Benarrivati, inclui apresentações em casas de fado nos roteiros por Lisboa justamente para aproximar essa história da maneira como o gênero continua sendo interpretado hoje.

Uma voz acompanhada pela guitarra portuguesa

Na formação mais tradicional, o fadista canta acompanhado pela guitarra portuguesa e pela viola de fado. A guitarra portuguesa possui seis pares de cordas metálicas e produz o timbre brilhante que se tornou uma das marcas sonoras do gênero, enquanto a viola sustenta a base harmônica.

Essa formação, porém, não permaneceu completamente imutável. Ao longo do tempo, outros arranjos passaram a incorporar uma segunda guitarra portuguesa ou viola baixo, especialmente em apresentações profissionais. O elemento constante é a relação entre a voz, os instrumentos de corda e a interpretação dos versos.

Nas casas de fado, essa proximidade continua sendo parte importante da experiência. O gênero também ocupa grandes palcos e circuitos internacionais, mas permanece presente em pequenos espaços dos bairros históricos de Lisboa, além de associações onde músicos profissionais e amadores mantêm diferentes vertentes da tradição.

Por que a Benarrivati inclui as casas de fado no roteiro

Para Antonella, ouvir o gênero em Lisboa acrescenta à viagem uma dimensão que não pode ser percebida apenas nos monumentos da cidade.

“O fado muda quando é ouvido de perto. Em uma casa menor, você percebe a voz, o som da guitarra e também o silêncio que se forma durante a apresentação. Gosto de incluir essa experiência porque ela aproxima a família de uma tradição que continua fazendo parte da vida cultural de Lisboa, em vez de apresentar o fado apenas como um símbolo do passado”, explica Antonella Giancoli.

Nos roteiros da Benarrivati, a escolha da casa considera a programação e o perfil de cada viagem. Alfama mantém endereços históricos ligados ao gênero, entre eles casas que atravessaram décadas recebendo alguns dos principais nomes do fado português.

Amália Rodrigues e a projeção internacional do fado

O fado já começava a circular fora de Portugal nas décadas de 1930 e 1940, mas sua projeção internacional ganhou outra dimensão a partir dos anos 1950 com Amália Rodrigues. Sua carreira levou o gênero a diferentes países e ajudou a transformá-lo em um dos símbolos culturais portugueses mais reconhecidos no exterior.

Amália também aproximou o fado de alguns dos grandes poetas de língua portuguesa e ampliou suas possibilidades artísticas sem romper com a tradição que a precedeu. Sua influência atravessou gerações e continua presente no repertório de intérpretes contemporâneos.

Em 2011, a Unesco inscreveu o fado na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, destacando sua importância como expressão praticada por diferentes comunidades de Lisboa e sua capacidade de transmitir música, poesia e conhecimento entre gerações.

Nos roteiros da Benarrivati, Antonella Giancoli trata uma noite de fado como parte da leitura cultural de Lisboa. Entre Alfama, Mouraria e outros bairros ligados à história do gênero, a música acrescenta à arquitetura e à paisagem da cidade uma tradição que continua sendo recriada cada vez que uma voz encontra a guitarra portuguesa.

Sobre a Benarrivati

Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.

4 horas ago