Conforme explica Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, a mais recente edição da International Pipeline Conference (IPC), em Calgary, reforçou a percepção de que a engenharia brasileira vem ganhando espaço em projetos de alta complexidade no cenário global de midstream. O evento, reconhecido como um dos mais relevantes do setor, evidenciou a crescente demanda por soluções capazes de operar com segurança em ambientes geológicos extremos.
Nesse contexto, a Liderroll destacou-se como a única representante nacional na área de exposição, atraindo a atenção de operadores e fornecedores da América do Norte, Europa e Ásia. Este artigo analisa como o ambiente de otimismo do mercado, aliado à complexidade das novas fronteiras energéticas, vem ampliando a busca por tecnologias que superem limitações tradicionais de distância e execução.
Por que a tecnologia da Liderroll desperta interesse global?
Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, o interesse de engenheiros norte-americanos, europeus e canadenses no estande da empresa reflete um desafio recorrente da engenharia de dutos: a limitação operacional em túneis de grande extensão. O sistema patenteado de lançamento em túneis apresentado pela Liderroll foi desenvolvido justamente para enfrentar esse gargalo técnico.
A proposta é permitir travessias mais longas com maior controle operacional, reduzindo restrições associadas ao atrito e à perda de eficiência em ambientes confinados. De acordo com o executivo, a combinação entre simplicidade mecânica e robustez estrutural tem atraído a atenção de grandes operadoras internacionais, interessadas em soluções que ampliem a previsibilidade de projetos de alta complexidade.
Quais projetos estratégicos concentram a atenção do mercado?
Conforme relata Paulo Roberto Gomes Fernandes, as consultas recebidas durante a IPC indicam interesse em aplicações em diferentes regiões do mundo. Entre os projetos frequentemente citados no radar do mercado estão:
- Região do Himalaia: estudos envolvendo um túnel de grande extensão conectando rotas energéticas entre Ásia Central e Sul da Ásia;
- Norte da Europa e Oriente Médio: projetos de lançamento de dutos de grande diâmetro em países como Noruega, Arábia Saudita e Jordânia;
- Ásia Central: iniciativas voltadas à interligação de reservas do Turcomenistão com mercados asiáticos por meio de múltiplas travessias subterrâneas.
Esses empreendimentos compartilham um ponto comum: a necessidade de soluções que mantenham desempenho estável em condições geológicas e logísticas extremamente desafiadoras.

Como o mercado canadense e norte-americano está se reconfigurando?
Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, apesar das pressões regulatórias e ambientais, o ambiente observado em Calgary foi de cauteloso otimismo. Projetos relevantes na América do Norte continuam avançando em fases distintas de maturação. Entre eles, destacam-se iniciativas ligadas à expansão do Trans Mountain, estudos da Enbridge para substituição de trechos dutoviários em túneis e o avanço do projeto Woodfibre LNG rumo à decisão final de investimento.
De acordo com Paulo Roberto Gomes Fernandes, um dos diferenciais mais observados pelo mercado é a capacidade do sistema de lançamento da empresa de operar sem as limitações típicas de distância que afetam métodos convencionais. Os roletes motrizes desenvolvidos pela Liderroll foram projetados para manter movimento contínuo e controlado ao longo de grandes extensões, reduzindo perdas de tração e riscos associados ao arraste em túneis.
O que esperar da expansão da engenharia brasileira até 2026?
A participação na IPC Calgary reforçou a visibilidade internacional da engenharia brasileira no segmento de infraestrutura energética. Paulo Roberto Gomes Fernandes frisa que a tendência é de aumento gradual da presença nacional em projetos que exigem alto grau de especialização técnica.
A Liderroll projeta que os próximos anos devem registrar maior demanda por sistemas automatizados de lançamento e soluções voltadas à redução de riscos operacionais e ambientais. Se esse movimento se confirmar, a engenharia brasileira tende a ampliar sua participação em projetos que cruzam ambientes extremos, consolidando sua relevância no ecossistema global de óleo, gás e infraestrutura de transporte de fluidos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez











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